+ Dezessete do Oito





Nothing but an intellectual lettuce

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    Luís/Male/16-20. Lives in Brazil/Paraná/Maringá/N.H, speaks Portuguese and English. Spends 40% of daytime online. Uses a Fast (128k-512k) connection. And likes cinema/literatura.
    This is my blogchalk:
    Brazil, Paraná, Maringá, N.H, Portuguese, English, Luís, Male, 16-20, cinema, literatura.







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    Friday, December 17, 2004
    pormenorizações
    Às quedas com elas!
    Se te deixo sem ar,
    se te roubo ânsias,
    se te suo nas mãos e
    te faço suspirar,
    aproveite.
    Faça o mesmo comigo.

    Posted at 12:04 pm by Luís Garcia
    Comentários (9)  

     
    Tuesday, December 14, 2004
    Amplitude Modulada
    E pra todas as garotas,
    que vêm e que passam,
    e que me olham,
    e que me desejam,
    e que não me odeiam:
    por favor, apareçam!

    Posted at 08:05 pm by Luís Garcia
    Comentários (4)  

    Poemeco sem título
    E sabe,
    nem é tão fácil
    semi-cerrar olhos,
    conter os braços,
    conter o estômago
    e o coração
    pra dizer que não te amo.

    Posted at 08:02 pm by Luís Garcia
    Comentários (3)  

    Retinto

    Quero sorver cada letra
    desse beijo escrito
    para assim como você ,
    em tinta preta
    deixar subscrito
    esse amor louco que sinto.

    Posted at 07:46 pm by Luís Garcia
    Comentários (8)  

     
    Saturday, December 11, 2004
    incoerência.
    Há quem diga que o bobo do Luís está fazendo outro blog...Pode isso?

    Posted at 12:30 am by Luís Garcia
    Comentários (5)  

     
    Wednesday, November 24, 2004
    Lógica
    Eu,
    eu sou
    eu mesmo.
    Riam.




    Posted at 12:50 pm by Luís Garcia
    Comentários (13)  

     
    Monday, November 22, 2004
    Adolescer
    Sabe, nessas últimas semanas eu tenho andado um tanto ocupado com os vestibulares que vêm e vão por aí. Ontem e anteontem, por exemplo, enfrentei algumas provas em um vestibular para Jornalismo. Já no fim dessa semana, estarei em São Paulo tentando me enfiar na sala de economia da USP nas próximas noutes do ano que vem. Tudo está um caos, e acredite, mesmo assim, tenho tido idéias até plausíveis, mas infelizmente não muito passíveis de alguma produção. Quem sabe eu não surjo com um auto de natal? Huashuahua. Sei que vocês compreendem, afinal de contas, ou já passaram por isso, ou ainda vão passar, oras.

    Pode parecer assaz piegas, mas seria muito pedir que vocês torcessem por mim? 

    Até daqui a pouco.

    Oras. 

    Posted at 04:39 pm by Luís Garcia
    Comentários (7)  

     
    Wednesday, October 27, 2004
    Esquinas

    Em uma dessas esquinas encontrei-a folheando com certo interesse um guia turístico da cidade. Na capa, um prédio enorme, com a bandeira listrada da cidade em seu topo. Uma imagem cinza, óbvia, mas de algum modo ainda romântica para mim que começo a apodrecer como uma laranja esverdeada; e para ela, fruto virgem, que visitava o lugar pela primeira vez. À nossa volta as pessoas não pareciam ter rostos, nem cheiros, nem mesmo lançavam-nos ruídos que podiam atormentar meus passos em sua direção. A atmosfera perfeita. O timing exato. Seus cabelos, castanho-acinzentados, balançavam leves ao assobio de gaturamos inexistentes.  Esbarrei em seu braço e procurei seus olhos. Azuis e profundos como o céu sem nuvens de uma cidade mais ao interior, quiçá a própria cidade dela.

     

    Para a minha surpresa, não tive de interpelá-la sobre as horas em uma abordagem comum e ultrapassada. A própria resolvera me encarar e enrubescer, quase tão apaixonada quanto eu, enquanto proferia as seguintes palavras:

     

    - Você pegou meu celular? E se minha mãe ligar?

     

    Sem compreender coisa alguma, observando a passividade de seu rosto, tentei balbuciar assustado, com as pálpebras frementes:

     

    - Como? Celular?

     

    Olhando para mim como se olha a uma criança que não deu descarga nas fezes, ainda disse, com a voz ligeiramente rouca (talvez charme), Ora, José Otávio, não se faça de bobo... Você guardou minha bolsa no carro? O celular estava lá dentro!

     

    As mãos me suavam. Perplexo e sem idéia do que ocorria eu estava. A moça, no alto dos seus 25 anos ainda me encarava como se eu devesse lhe dar resposta adequada, como se eu já tivesse dividido travesseiro e lençol com ela, como se eu fosse seu amante, seu melhor amigo, seu marido. Aos poucos ela ia me fritando a alma com aqueles olhos estarrecedores. Meu silêncio começava a perturbá-la. Seus braços inevitavelmente cruzados, ainda assim parecendo insistir em esperar resposta minha.

     

    Gaguejando como uma matraca, disse-lhe que até aquela tarde nunca a havia visto mais gorda, e que, mesmo assim, mesmo ela sendo uma total desconhecida, desejava seu corpo como se deseja a felicidade eterna, e que, por alguns segundos, resolvi seguir seus passos apenas para ter certeza de que ela chegaria bem a seu destino, que não era tarado coisa alguma, que ela não precisava se preocupar. Mas minha voz saiu baixa, e, em meio a tanta confusão e barulhos produzidos pelos vermes que nos atravessavam, ela acabou não me ouvindo. Aí então me lembrei que tinha meu celular no bolso, e que, se era um celular que a moça queria, era um celular que eu deveria lhe oferecer.

     

    Saquei o objeto, colocando-o na palma da mão e o estendi em sua direção acrescentando um legítimo “aqui está”. Ela tomou-o dos meus dedos e beijou-me a boca e sorriu. Um beijo simples, sem floreios nem saliva. Um beijo de amor. Um beijo de casal. Um beijo feliz enfim. Estendendo-me a mão disse que precisávamos ir almoçar logo. E fomos. Eu estava com um pouco de fome.  






    Posted at 11:14 pm by Luís Garcia
    Comentários (26)  

     
    Thursday, October 21, 2004
    Solidão

    Eu tomo banho, e da minha janela vejo outras janelas.


    Em uma delas, uma família inteira se deleita na visão azul de um jornal noturno. O sofá vermelho, grande, espaçoso, cor de sangue com as luzes apagadas, abriga resignado todos os membros da família. O pai, aperreado pelo calor cabeludo que faz por aqui, finaliza no gargalo uma jarra de suco de laranja. Em volta, nos outros prédios, nesse prédio, tudo escuro. Os 4 se preparam para a novela e dois deles, especialmente, se preparam para o sexo semanal. É quinta-feira, dia de ficar pelado e praticar a rotina. Há quantas quintas-feiras eu não faço o mesmo?


    Os olhos vidrados das crianças ofuscam a indiferença apressada dos pais quase prontos para a noite. Talvez um reclame de um novo brinquedo refresque seus olhos pequenos. A água cai sobre mim e lá fora tudo é treva. Agarro o sabonete e massageio meu sovaco.  Em uma janela acima, um homem está sentado em uma mesa e parece contar dinheiro. Ou jogar paciência, sozinho, como eu. Uma garrafa pequena repousa ao seu lado. Sem camisa, com as costas gordas em curva não parece contar dinheiro. Um gole, dois goles, três goles. Não deve ser nada alcoólico. Seu rosto mostra alguma melancolia. E, em um relâmpago, parece que vai chover, vejo um às de copas. Pronto, mais uma carreira de cartas terminada. Por um instante pensei ter visto um sorriso em seu rosto. Talvez tenha sido só uma sombra em uma cicatriz. Sua luz também está apagada. Algumas gotas cinzas começam a cair das nuvens

     

    Um banho frio, chuva lá fora. Minha luz acesa. Um casal de namorados descansa em outro sofá, talvez assistindo o mesmo jornal azul com as luzes apagadas. Na mesma linha, em outra janela, no quarto de casal daquele apartamento, os pais da adolescente discutem algo sobre a liberdade da filha. Entre beijos acalorados e dedos furtivos, os dois se surpreendem, instintivamente se arrepiando cada um para uma ponta do sofá. É o pai dela que chegou, que foi tomar água e acender um cigarro em uma das bocas do fogão. Deve estar tentando parar, vendo-se sem nenhum isqueiro jogado em algum canto, só lhe restou queimar a ponta de alguns raros fios e acender seu vício no fogão. O jovem casal se aproxima novamente e recomeça a danação, agora, sem mais olhos censores.

     

    Por um momento vejo que só há luz em mim, que a luz do meu banheiro continua acesa, e chego a pensar que talvez todos eles estejam me vendo. A idéia me excita. Vejo o sabonete cheio de pêlos e agarro-o outra vez, como em um filme erótico, fazendo caras e bocas, lavando-me, oferecendo meu rosto afogueado para o jato de água. Uma fricção interminável por todos os meus poros. Uma ereção. Ali, observado por todos, dou início à prática que me resta. Logo estarei feliz e poderei dormir a noite inteira. A masturbação.

     

     


    Posted at 12:38 pm by Luís Garcia
    Comentários (7)  

     
    Thursday, June 17, 2004
    Insone

    Assim:

     

    1-     1:55 – pisca – 1:55 – pisca – 1:55.

     

    2-     Procuro imaginar coisas boas. Procuro imaginar mulheres tímidas, saias, decotes discretíssimos. Procuro imaginar passeios noturnos, divagações sobre o formato das estrelas. Procuro sonhar com um carro com teto solar, você, mulher tímida ao meu lado e um decote discreto que impede que eu gire a chave do carro. Procuro sonhar. A cabeça não pára no travesseiro.

     

    3-     As pernas se abrem, buscam o ar, fogem do calor do cobertor. As pontas dos dedos se refugiam, formações de bailarina. Cãibra. As mãos correm os cabelos oleosos, a testa precisa ser enxugada. A cama é de solteiro. Estico as pernas, de novo os dedos fora do cobertor. Seus olhos, flamejantes, consomem a minha noite, iluminam meu quarto e eu não durmo. 1:57. Eu não tenho medo do escuro.

     

    4-     Encolho-me buscando a posição fetal. Lembro do domingo, sei que hoje é só quinta-feira, tenho saudade. Meus olhos ardem de febre, minha coluna dói. Meu ombro grita por debaixo de mim mesmo. Meu nariz ameaça tentar escorrer junto com as lágrimas. A manga comprida do pijama contém a emoção e eu não agüento mais. Quero gritar, acordar a pensão e o mundo. Eu te amo.

     

    5-     Mais mulheres tímidas. Você é assustadoramente impudica. Meu peito dói, formigas transitam no meu céu da boca, seu bolo de aniversário inibe quaisquer movimentos peristálticos. Quisera eu dominar esse sentimento, ser indiferente, mordiscar o ar, engolir paixão e saber que sou correspondido. Eu queria ter um carro, com teto solar, daí, te levaria lá no mirante para ver as estrelas e fazer desejos. Desejar ter filha e ser feliz. Desejar nunca mais sentir o que sinto agora. Desejar nunca mais estar nu em noites de frio.

     

    6-     1:58 – pisca – 1:58 – estou com sede.

     

    7-     Tenho de arrumar o rádio relógio. Esse pisca-pisca está me matando, tire isso daqui, põe lá fora, com o cachorro. Você lembra? Podíamos comprar uma casa, morar juntos, ouvir latidos de madrugada, confundi-los com nossos próprios gemidos. Tomar banho pela manhã, juntos.

     

    8-     Duas horas. Preciso de você, essas necessidades orgânicas, malucas. Eu não consigo dormir. Canta aquela música pra mim? Conta como foi seu dia. Diz pra mim que o seu chefe te paquerou. Diz pra mim que o trânsito estava uma porcaria. Diz que você comprou aquela bolsa caríssima, irresistível. Diz que quer beber comigo. Estou doido pra ver o rubor na sua cara, sua voz mole no meu ouvido e ver as estrelas no mirante.

     

    9-     Preciso dormir.

     


    Posted at 06:10 pm by Luís Garcia
    Comentários (43)  

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